Habilidades BNCC

  • EM13LGG604
  • EM13LP48
    Identificar assimilações, rupturas e permanências no processo de constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória, por meio da leitura e análise de obras fundamentais do cânone ocidental, em especial da literatura portuguesa, para perceber a historicidade de matrizes e procedimentos estéticos.
Roteiro do Vídeo

Hoje, você vai conhecer um autor muito importante para a literatura brasileira: Graciliano Ramos!

Ele foi um escritor e jornalista do Alagoas, pertencente à segunda fase do modernismo, a chamada “geração de 30”.

Graciliano Ramos é conhecido por uma escrita narrativa dura, feita com uma linguagem aparentemente simples, mas muito clara e concisa.

O autor trata, em suas obras, de questões sociais profundas do Brasil, como a realidade da seca no sertão nordestino.

Aborda, também, temas como a interioridade humana, as reações psicológicas e as relações sociais impostas pelo meio em que seus personagens vivem.

Você já ouviu falar desse autor?

Vamos começar nossa aula ouvindo um trecho de sua mais famosa obra: “Vidas Secas”.

Em seguida, conheceremos mais sobre o Regionalismo, que tem uma tradição de quase 150 anos na literatura brasileira.

Graciliano Ramos escreve uma literatura regionalista, já que suas obras discutem e retratam a região em que se passam.

No último vídeo, vamos compreender como sua obra “Vidas Secas” retrata os problemas do nordeste brasileiro.

E consegue capturar de forma profunda as dificuldades da realidade ali retratadas.

Você já ouviu falar dessa obra?

Hora de descobrir mais sobre o universo retratado por esse importante autor!

Vídeo 1: Trilha de Letras | Minha poesia, minha terra (13:19 a 14:35)

Parceiro realizador: TV Brasil

Duração: 1’20”

https://tvbrasil.ebc.com.br/trilha-de-letras/2019/04/minha-poesia-minha-terra

 

Vídeo 2: Regionalismo | Pettras Felício | Viagens de Clio

Parceiro realizador: (Youtube Edu) Viagens de Clio

Duração: 6’

https://youtu.be/zQ7IBSajrDY

 

Vídeo 3: Cidade de Leitores | Graciliano Ramos

Parceiro realizador: MultiRio

Duração: 28’

http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/assista/tv/1310-graciliano-ramos

 

Atividade sugerida para aprender sobre o tema

Hoje, você conheceu um pouco mais sobre Graciliano Ramos, e pôde ver como as suas obras marcam o regionalismo brasileiro do século 20.

Agora, para testar seus conhecimentos, propomos que você resolva duas questões do ENEM.

Preparado?

APRESENTADOR LÊ AS QUESTÕES EM OFF, ENQUANTO ELAS APARECEM NA TELA.

1 – (Enem 2007)

Texto I

“Agora Fabiano conseguia arranjar as idéias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (…) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo.”

Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23. ed., 1969, p. 75.

Texto II

“Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas Secas faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes. ”

Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes. In: Teresa. São Paulo: USP, n.° 2, 2001, p. 254.

(APRESENTADOR NÃO DEVE LER ISSO. COLOCAR APENAS NA TELA).

A partir do trecho de Vidas Secas (texto I) e das informações do texto II, relativas às concepções artísticas do romance social de 1930, avalie as seguintes afirmativas:

(I) O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30.

(II) A incorporação do pobre e de outros marginalizados indica a tendência da ficção brasileira da década de 30 de tentar superar a grande distância entre o intelectual e as camadas populares.

(III) Graciliano Ramos e os demais autores da década de 30 conseguiram, com suas obras, modificar a posição social do sertanejo na realidade nacional.

É correto apenas o que se afirma em:

  1. a) I
  2. b) II
  3. c) III
  4. d) I e II
  5. e) II e III

2 – (Enem 2009)

No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.

CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003. (APRESENTADOR NÃO DEVE LER ISSO. COLOCAR APENAS NA TELA).

Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que:

  1. a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia.
  2. b) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.
  3. c) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.
  4. d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.

e) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.

Como saber se a atividade está correta?

Se na primeira questão você respondeu que a alternativa correta é a letra D, acertou.

A prosa da segunda geração modernista evidenciou as injustiças sociais da década de 1930 e a miséria decorrente da seca nordestina.

Assim, personagens pobres, que antes eram retratados como inferiores e menos importantes, se tornam protagonistas.

Em “Vidas Secas”, temos um retrato do sertanejo depois da grande seca que assolou o Nordeste em 1915.

Já na segunda questão, você acertou se respondeu que a alternativa correta é a letra C.

O regionalismo surge na literatura em vários momentos, com diversas propostas estilísticas e temáticas.

Como aponta a opção C, o romance nordestino se caracteriza pela exploração de regionalismos linguísticos e pelo flagra da luta do homem contra a natureza do sertão.

As outras alternativas não são verdadeiras por trazerem algum detalhe errado.

Na alternativa A, essencialmente urbana;

Na B, relações conflituosas entre raças;

Na D, as raízes africanas e indígenas;

E na E, a modernização do País.

Para saber mais, basta apontar a câmera do celular para o QR code que está na tela.

Bom estudo!